terça-feira, 15 de dezembro de 2009

E se o tempo parasse?

Abria os olhos.
Desinstalava-se a preguiça.
As retinas descansadas.
Aviões expeliam trovoadas.
O céu cheio não de nuvens.
O gato não em cima do sofá.
Do lado de fora da janela. Nada.
Pequenas gotas de chuva.
Contorções num jogo de crianças.
Rebentamento. Solidão.
Bandos de aves.
Barcos de pesca abandonados.
Largados à deriva. Os bandos.
Espalhados no céu agreste.

Se o tempo parasse...

Não dormia no sofá da sala esta noite.
Não tinha frio.
Borboleta em casúlo esquálido.
A montra não vazia de contornos.
Vazia de sangue.
As janelas desproporcionadas de sombras.
Os pássaros: adormecidos nos recantos da cidade.

Dois pinguins patinando no gelo.