quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

O sol põe-se, derrotado, na praia...

O sol põe-se, derrotado, na praia.
Desfio solilóquios junto ao paredão
amassado pelas águas revoltas.

As flores murcham na entrada de nossa casa
uma ternura de faz de conta.

Os sinos fogem da torre da igreja na hora do adeus
e o silêncio nas paredes descura o passado.

Lenços carpidos. Soluços. A fonte sem água.
Tenho-te em mim para sempre.

O nosso amor tornou a vida breve.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Palavras soltas

O sal na tua pele habita silêncios derretendo nas arestas.

As palavras perdidas. Soltas.
Os pássaros desatentos em voos escalados.

Os nossos destinos melindrados de si próprios.

Cofres arrombados na sombra vertem segredos.
As palavras soltas. Perdidas.

Semáforos irrequietos...

Semáforos irrequietos
anseiam movimento.
Passadeiras descalças
esperam passada ante passada.

As luzes da noite
desvanecem-se nos candeeiros,
enquanto os sinos
tocam lamentos no fim da madrugada.

As gaivotas ao longe
respiram o mar,
e a cidade acorda lentamente
espreguiçando ruelas e avenidas.

E nós... de braço dado,
despedimo-nos da noite em claro,
com saudades já sentidas.

Teia...

Teia. Prisão.
Tempo. Saudade.
Desgosto. Solidão.
Fúria. Liberdade.
O fim.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sonhos vagabundos

A lua está cheia.
Como cheios estão os meus sonhos.
Vagabundos de luxo
passeando nas estrelas.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ambivalências

Borboletas dobram a esquina.
Abrem as asas. Desespero.
Caules de heras pregados na parede soltam-se
enquanto um sorriso assoma na varanda.
A consciência parte-se em dois.
As borboletas partem.
Os caules partem.
Sozinho batalho o mundo.